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quinta-feira, 4 de julho de 2013

Cinema- Juan Dos Mortos Crítica




         "De pié, famélica legión..." 

              -La Internacional


       Juan dos Mortos (Espanha, Cuba-2011, 92 min)




       

       Por Zaius Primati
       
       Aproveitando o lançamento recente de "Guerra Mundial Z", resolvi ir na contramão da mídia e assistir a essa co-produção Cubano-espanhola de 2011, que já deu as caras no Brasil em alguns festivais nos últimos dois anos, mas só agora é lançada "comercialmente" no Brasil. 
     " Iiiirrrkkkk! Mais um filme de Zumbis!", dirão, com um certo ar entre o blasé e o nojo, os hipsters que frequentam a sala do Guion Center Nova Olaria, em Porto Alegre, onde assisti, sozinho, a uma sessão dessa pérola da sétima arte. 
     Bueno, antes de começar  a falar do filme, cabe aqui um pequeno esclarecimento. Os Zombie movies, já a algum tempo estão deixando o seu gueto trash e migrando para o cinemão.  Já há um subgênero muito bem estabelecido desses filmes, que é o das comédias de Zumbi, tais como "Todo mundo quase morto", "Fido o mascote" e o recente "Cockneys versus Zombies". Acontece que esse subgênero, também possui suas ramificações. Temos a comédia romântica de Zumbis em "Meu namorado é um Zumbi", o bromance  comedy  no já citado "Todo mundo quase morto", a comédia policial zumbi no recente "Zombio 2", de Peter Baiestrorf, e o Zombie mockumentary   em filmes como o Genial Pushin' up Daysies" , cujo diretor e roteirista, Patrick Franklin, estará sendo entrevistado nesse blog em breve. 
       Juan dos mortos inaugura um novo subgênero: a comédia política de desmortos. Só conferir essa bizarra mistura já valeria o ingresso (desde que o cinema fosse confortável, mas isso eu comento depois). Então fui conferir o tal "Juan de los muertos".
           O filme conta as desventuras de Juan (Alexis Diáz Villegas, numa inspirada interpretação) e seus amigos, um bando de vagais, malandros e desocupados (adoro pleonasmos!), moradores de Havana, que vivem de pequenos furtos e golpes diversos. Um belo dia, Havana e, provavelmente, todo o resto da ilha dos irmãos Castro, passa por uma infestação Zumbi. A princípio, Juan e Lázaro, seu melhor amigo, demoram para entender que diabos está acontecendo. Em sua primeira experiência (involuntária) com extermínio de zumbis, eles sofrem pra burro para despachar de vez um casal de velhinhos mortos-vivos, pensando tratar-se de vampiros. Levemos em conta que  eles moram em Cuba e, seja devido ao bloqueio ianque, seja devido à precariedade e censura dos meios de comunicação, eles demoram um certo tempo para entender que raio de monstros são esses, que começam a invadir sua comunidade, mordendo enlouquecidamente tudo que se mexe.  
        Quando a infestação já tomou boa parte de Havana, Juan e seus amigos quase não percebem. Afinal, todo mundo continua andando pelas ruas com a mesma lentidão e desânimo com os quais todos já estavam acostumados, desde o início  da revolução. Os carros continuam caindo aos pedaços e a pintura descascada de boa parte dos prédios de La Habana Vieja já era, por si só, bem pós-apocalíptica, mesmo antes da horda de mortos vivos invadir a ilha. As emissoras do governo falam de dissidentes pagos pelos Estados Unidos. Só que Juan, "um sobrevivente" como ele mesmo se define, não cai nessa.    
   Veterano da guerra de Angola, onde muitos cubanos lutaram ao lado dos angolanos contra os portugueses, um quase marielito dos anos 80, Juan, como de resto praticamente todos os seus conterrâneos, a muito aprendeu a não levar o que o governo diz ao pé da letra.
     E então, como bom latino-americano que se preza, ele resolve lucrar com a crise com toda a sua ginga e malemolência. E abre um negócio de extermínio (ou remoção?) de zumbis, cujo singelo slogan é "Juan de los muertos. Matamos a sus entes queridos". Pronto! Se Nova York tem os caça-fantasmas, "La Habana tambien puede, por supuesto!" Só que, no terceiro mundo, tudo sempre é mais precário. E precariedade é o que não falta na rotina de Juan e seus amigos.
   Daí por diante, o diretor Alejandro Brugués, descarrega sua metralhadora giratória sem dó nem piedade contra os políticos, o povo, as forças de segurança, os dissidentes (sobra até para Yoani Sanchez!) os idosos, as prostitutas, os turistas sexuais espanhóis (que participaram recentemente da Copa das Confederações) e, até, os metrossexuais (isso não é chutar cachorro morto???). 
        Reza a lenda que esse filme foi financiado, em parte, pelo governo cubano. Duvido muito que o Fidel o tenha assistido. Se bobear, eles deram o aval para essa curiosa produção achando que ela teria uma mensagem anti-americana. Ledo engano! Juan e sua turma estão de saco cheio (no caso de Lázaro, literalmente) de Fidel, dos dissidentes, dos ianques, da vizinhança, enfim da P#@$*& que o P@#@$%$!!! O que eles querem não é necessariamente a liberdade. Acima de tudo, eles querem é se dar bem. Me lembra muito um país que eu conhecia faz algumas semanas...
     O filme é uma sucessão de piadas de baixíssimo ph , deliciosamente cínicas e corrosivas, ilustradas por cenas hilárias e geniais como a do primeiro ataque dos exterminadores (com direito a bullet time no estilo "The Matrix") a captura de Juan e sua turma pelas forças de segurança revolucionárias e a alucinada coreografia do "mambo de la muerte", executada magistralmente por Juan e uma "parceira" totalmente fora- da- casinha...
      Mas é na antológica cena final que a alma do filme se descortina. A inesperada decisão de Juan, ao som de  uma versão Punk Rock de "My Way" e a sequência de créditos que se segue, não deixa dúvidas. Como diria Dorothy de "O mágico de Oz": Não existe lugar como o lar. Não importa se ele está de pernas para o ar, cheio de políticos corruptos, balas perdidas, dengue, hospitais caindo aos pedaços, Estádios padrão FIFA construídos com o nosso dinheiro, ou até mesmo, uma horda de mortos-vivos esfomeados. O lar pode ser uma droga. Mas ainda é o lar.


PS: 
   O cine Guion Nova Olaria é um "espetáculo à parte". A última vez em que estive lá foi em 1997, levado por uma ex-namorada riponga para assistir "Vá onde seu coração mandar". É. Eu também acho. Eu mereço! Na ocasião ela achou que devia aumentar seu nível cultural. Nunca mais nos vimos. Espero que ela tenha conseguido.
        O filme que assisti para essa resenha foi exibido numa salinha   com uma tela ridiculamente minúscula, colocada num ângulo no qual você só pode escolher o que entortar: o pescoço ou a coluna (olhe diretamente para frente e não verá nada), e poltronas com a inclinação mais anti-ergonômica que eu já vi. Parecem feitas para que você saia correndo e poupe o projecionista de ter que trabalhar.
Tudo isso, pela módica quantia de 14 pilas! Considerando que a pré-estreia desse filme foi num multiplex com tela de verdade, som digital e poltronas  confortáveis, e pelo preço de sete reais, eu fiz um mal negócio. 
       Esse cinema, como sala de projeção, é uma ótima galeria de arte, onde estão expostas estátuas, quadros, etc. Também vendem-se livros e discos, a preços astronômicos. Pena que a simpatia dos funcionários não seja tão elevada quanto o nível cultural (e o preço) de suas atrações. Mas os hipsters devem gostar. Afinal, o que seria deles se a plebe tivesse acesso ao lazer e à cultura, não é mesmo?
       Abraços simiescos e até o próximo post!
       FUI!!!!


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Robô Curiosity da NASA, encontra a primeira forma de vida em marte



Extra! Extra! Confirmado! Robô curiosity encontra 
a primeira forma de vida em Marte:

                    José Dirceu!


O robô curiosity, controlado pelos manifestantes, caça José Dirceu pelo planeta vermelho, com poderosos feixes de laser. Foto: Flash Gordon, via Alex Raymond.

Por Zaius Primati

               Pasadena, Califórnia- Na madrugada de hoje, um técnico de plantão no comando da missão Curiosity da NASA, no JPL, o laboratório de propulsão a jato de Pasadena, captou sinais do robô em solo marciano. Ele, inequivocamente, encontrou vida na superfície, só que de origem terrestre. Tratava-se de José Dirceu de Oliveira e silva, usando um surrado traje espacial soviético que ele afanou de um museu cubano em 1970. 


José Dirceu, em 1970, apenas aguardando
um vacilo do vigia do museu de Havana, para dar
o bote.


               Totalmente perplexo, o técnico, um engenheiro que tem apenas mestrado  o Sr. Howard Joel Wolowitz, perguntou através do rádio da Curiosity, o que o Sr. José Dirceu estava fazendo lá:

               "Meu filho, eles derrotaram a PEC 37 por 430 votos a 9, tornaram a corrupção no congresso crime hediondo, tudo isso em menos de uma semana. Tive medo que eles fossem na companheira Dilma pedir a minha cabeça...".

Howard J. Wolowitz, no exato momento em que captou a transmissão de José Dirceu.


José Dirceu explica por mímica o verdadeiro tipo de operação que  ele foi fazer em cuba...

               Perguntado  sobre como chegou tão rápido no planeta vermelho se a dobra espacial só será inventada daqui a 50 anos, Dirceu foi bastante direto:

                "Meu filho, que trem é esse de dobra espacial??? Eu vim a pé mesmo! Ponha 200 milhões de pessoas furiosas correndo atrás de você pra ver o que é bom pra tosse. Você acaba fazendo milagres!"

                 Como a transmissão estava falhando devido à passagem da zona fantasma pela órbita de marte (onde estão presos o general Zod, Hugo Chávez, Mao Tse Tung, Damon Lindelof, e muitos outros) o Sr. Wolowitz resolveu ser rápido e fazer uma última pergunta:

 "O senhor gostaria de dizer suas últimas palavras? Perderemos o sinal  em menos de trinta segundos".

                 "Sim"-Respondeu Dirceu- " EU TERIA CONSEGUIDO SE NÃO FOSSEM AQUELES GAROTOS INTROMETIDOS E AQUELE CACHORRO IDIOTA"
                      
                  Fim da transmissão (se tivermos sorte!)